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Números e curiosidades do Circuito Fotográfico

outubro 12, 2009

Todos estes dados foram mapeados por um GPS que levei durante a viagem. Os arquivos estão disponíveis para download, basta solicitar.

Transpantaneira

130 km de estrada empoeirada

117 pontes de madeira

1 dia foi quanto demoramos para cruzar a transpantaneira de ponta à ponta.

Abaixo o trajeto da transpantaneira que foi mapeado por meu GPS de trekking. Os pontos azuis são as pontes de madeira por onde passamos.

62,7 Km /h Foi a velocidade mais alta que conseguimos nesta rodovia, tamanha as condições.

3,1 Km/h Foi a velocidade mais baixa tivemos nesta rodovia, provavelmente estávamos esperando algum jacaré atravessar a rodovia.

17 horas e 6 minutos foi o tempo que levamos para cruzar de ponta a ponta a Transpantaneira.

120 metros acima do mar é a altitude média da planície pantaneira.

20
litros de água consumidos por duas pessoas durante o circuito fotográfico de 7 dias.

80
litros de combustível gastos entre o carro e o motor do barco.

4 horas
de barco para avistar a onça do Pantanal.

34,8 km/h Foi a velocidade mais alta durante a navegação no rio Cuiabá.

Abaixo o trajeto através do rio Cuiabá para o encontro da Onça Pantaneira. A parte inferior do mapa é o Hotel Porto Jofre e a parte superior o lugar onde fiz as fotos da onça. Caminho mapeado também por GPS.

6 milhões é a população de jacarés do pantanal

Maior ainda é a população de piranhas nos rios do Pantanal.

4 São as famílias de onças catalogadas no final da transpantaneira no leito do Rio Cuiabá.

144.294 km2
É a totalidade da planície alagável 61,9% dos quais (89.318 km2) no Mato Grosso do Sul, e 38,1% (54.976 km2) em Mato Grosso. O reduzido desnível da região (4 cm por quilômetro) produz a inundação periódica do Pantanal; as cheias anuais dos rios  atingem cerca de 80% do Pantanal e transformam a região em um impressionante lençol d’água, afastando parte da população rural que migra temporariamente para as cidades ou vilas.

Reserva da biosferaO Bioma Pantanal foi reconhecido em 2000, pela UNESCO, como reserva da Biosfera. Estas reservas, declaradas pela Unesco, são instrumentos de gestão e manejo sustentável integrados que permanecem sob a jurisdição dos países nos quais estão localizadas.Os 210 mil quilômetros quadrados do Pantanal equivalem à soma das áreas de quatro países europeus – Bélgica, Suíça, Portugal e Holanda.

 

 

Chapada dos Guimarães


Latitude 15°28’47.61″S
Longitude 55°41’17.14″O
as coordenadas do Ponto Geodésico. Este é o lugar que divide a América do Sul. Esta localização é reconhecida e confirmada oficialmente pelo serviço geográfico do Exército Brasileiro em 1975.

O Centro Geodésico é um Ponto Equidistante entre o Atlântico e o Pacífico, no “Coração da América do Sul”, como já dizia Caetano Veloso na música “Um Índio”.

600 metros acima do nível do mar é a diferença de altitude entre Cuiabá e a cidade da Chapada, que na entrada da cidade o GPS estava marcando 800 metros acima do nível do mar.

10 km do centro da cidade de Chapada

70 km do centro de Cuiabá

Uma das principais atrações ecológicas que caracteriza o cerrado brasileiro

Custo para chegar até a cidade de Chapada, simplesmente imperdível para quem se encontra em Cuiabá.

Único lugar para lugar bicicletas em toda a Chapada

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Giro fotográfico pela Chapada

outubro 11, 2009

    Acordei cedinho, tomei um banho, deixei o café para quando estivesse esperando o ônibus e peguei um taxi para a Rodoviária. Comprei minha passagem e devorei um pão de queijo com café enquanto o ônibus não chegava.

    Já estava com tudo planejado, chegando à cidade encontraria a agencia para alugar a minha bike e partiria rumo ao giro fotográfico da Chapada.

    Tudo certo, tudo nos conformes. Encontrei a AGENCIA ICONE ECOTURISMO. Conversei com a Jéssica e ela me arrumou uma Mountain Bike. Indiciou-me o caminho por onde eu deveria seguir e como fazer para avistar uma cachoeira em uma propriedade particular e depois seguir o caminho para os demais atrativos turísticos. Confesso que quando ela me passou as quilometragens eu me assustei um pouco, 9 km para o primeiro mirante e aproximadamente 2 km para chegar à cachoeira, mas tinha que tentar.

    Joguei a mochila dos equipamentos nas costas e fui em direção à cachoeira, era o ponto mais próximo. Nas duas primeiras quadras já estava sentindo que não foi uma boa idéia alugar esta bike, benditos estrangeiros, acho que estavam tirando uma onda com a minha cara quando me recomendaram utilizar este meio de transporte para conhecer o lugar.

    Antes de concluir o primeiro kilômetro, não agüentava mais aquele banco. Desci, desocupei a pochete e encapei o banco. Foi a melhor idéia que tive nestes últimos dias. Mesmo com todo este calor eu consegui alcançar o lugar onde deveria entrar para chegar à cachoeira.

    Quando a Jéssica me avisou que eu precisaria pedalar em uma estrada de terra eu não dei muita importância, mas também não imaginava que a estrada era um tanto íngreme e cheia de valos abertos devido à chuva. Não conseguia controlar a bike durante esta descida, com todo o material nas costas o encontro à cerca foi inevitável. Conferi se todos os ossos estavam em dia, levantei e continuei com o percurso, pois eu tinha que fazer as fotos e PRECISAVA voltar ainda hoje. Neste momento já estava repensando os demais passeios.

    Valeu a vista, parabéns pelo lugar e recomendável para outros aventureiros com uma condição física melhor que a minha.

    Agora tenho que voltar até a estrada principal, não vai ser fácil subir de bike esta estradinha, com este calor, todo este equipamento nas costas e sem falar que não consigo mais amarrar a pochete no banco, isso significa que não consigo sentar direito.

    Fui empurrando a magrela e a sede aumentando, o meu rosto suando e o protetor solar escorrendo pelo rosto, o que mais eu poderia pedir? Acho que nada, pois se sem eu pedir já me apareceram todos estes inconvenientes, imagina se eu ousar pedir alguma coisa. Melhor ficar quieto.

    Parei para pedir água e prosseguir com a caminhada. Parecia que tinha andado mais de 30 km mas a gentil senhora me puxou para a realidade, disse que eu andara aproximadamente 300 metros e faltava mais 1km para chegar à rodovia. Não poderia ficar por ali, segui meu caminho.

    A caminhada estava agradável e consegui chegar à estrada.

– Eu sabia que não podia pedir mais nada, comecei a escutar trovões. Bendita chuva de verão, se eu não pedalasse com todas as minhas forças (que já eram poucas) eu poderia perder todo o equipamento para a água.

    Para resumir a história, mal encostei meu veículo de tração animal (neste caso o animal sou eu) e a chuva veio. Não conseguia sentar, já passara do meio dia e não consegui ver metade dos atrativos da Chapada e ainda precisava voltar para Cuiabá. Foi então que conversei novamente com a Jéssica.

    – Jéssica, você não tem ninguém que pode me levar para avistar os demais pontos antes de ir embora?

    – Claro, posso arrumar alguém sim.

    – Bom, espero que você consiga, não gostaria de ir embora sem ao menos conhecer o Véu de Noiva.

    – Fica tranqüilo que vou fazer uns telefonemas aqui.

    Logo em seguida ela conseguiu a Lena, ela desmarcou alguns compromissos, devido a chamada de última hora, e topou me levar para conhecer o que impossivelmente eu poderia descobrir de bike.


Mirante do ponto geodésico da América do Sul.


Arara Vermelha do restaurante Morro dos Ventos

    Esta Arara fica brincando com os visitantes do restaurante do Morro dos Ventos, que conta com uma vista espetacular da chapada. Em dias bons e sem a fumaça das queimadas é possível ver até a planície pantaneira do Mato Grosso.    


Cachoeira Véu de Noiva

    Infelizmente peguei uma época de pouca chuva e não temos grande volume de água na cachoeira.

    Bom, meu passeio termina por aqui, obrigado à XXXX pela paciência de acompanhar-me durante as fotografias da Chapada, obrigado à Jessica e ao pessoal da ICONE ECOTURISMO, pela receptividade e pela bike e … Um agradecimento especial ao casal de estrangeiros. Me ensinaram que fotógrafo com bicicleta não combina.

    Daqui, volto para São Paulo. Venham conhecer o Mato Grosso, cada momento difícil é recompensado com uma imagem diferente.

Da Salgadeira para Cuiabá.

outubro 10, 2009

    Durante a viagem, saindo da salgadeira e voltando para Cuiabá, encontrei com um casal de estrangeiros que estavam na mesma situação que eu, com pouco dinheiro e muita vontade de conhecer todos os lugares. Perguntei como fizeram para conhecer tudo e, com uma simplicidade ímpar disseram que tudo pode ser feito de bike, indicaram o local e me passaram um mapa que copiaram na agência de turismo. Com esta noticia eu voltei mais entusiasmado para o hotel, pois bastava alugar uma bike e tudo estava resolvido, conseguiria conhecer todos os mirantes da Chapada na base da pedalada.

Tomei um banho e fui dormir. O cansaço não deu espaço para a fome e sonhei com o meu “passeio ciclístico” pela Chapada.

Mato Grosso não é só Pantanal.

setembro 25, 2009

    Quando eu acordei, por alguns momentos não sentia minhas pernas nem meus braços, penso que meus músculos relaxaram demais e agora não queriam mais me obedecer. Enquanto eu aguardava os músculos voltarem ao normal eu pensei:

    – Será que o café da manhã é diferente para as pessoas que reservam o quarto com ar condicionado? Se seguir a mesma tendência estarei bem na foto!!!

    Tomei um banho, corri para o restaurante e surpresa!!! Nada mudou, o café continua o mesmo do quarto C.

    Peguei alguns pedaços de melancia, equipamentos de fotografia nas costas, tomei um taxi e rumei para o desconhecido, neste caso o desconhecido era a rodoviária.

    Descobri que não precisava ir direto para a Chapada dos Guimarães para encontrar as belezas naturais, eu tenho a possibilidade de comprar trechos avulsos para visitar as belezas do caminho. Neste caso, para quem sai de Cuiabá para a Chapada dos Guimarães, pode parar nos seguintes pontos:

    1 – Salgadeira;

    2 – Véu de Noiva;

    3 – Chapada dos Guimarães;

    4 – Cidade da Chapada.

    Optei por passar o dia na Salgadeira.

    A 40 km de Cuiabá, Salgadeira é um misto de balneário com cachoeiras, passeios ecológicos, restaurantes e trilhas, que você pode fazer sozinho, pois não existem guias no lugar. Não encontrei turistas por aqui, realmente é um lugar freqüentado por moradores das redondezas que buscam refresco nas águas da cachoeira para o calor acima dos 37 graus.

    Como cheguei muito cedo garanti ótimas fotos sem o fluxo dos visitantes.

 


Cascata da Salgadeira

    Conversando com o proprietário do restaurante da Salgadeira, ele me informou que existia uma trilha por dentro do cerrado que levaria ao topo da chapada sem dificuldade. Resolvi arriscar, joguei o equipamento nas costas, peguei meu apoio de caminhada e meu boné de expedicionário e parti para a trilha.

    Já no inicio da caminhada senti que não seria tão fácil como o nativo havia comentado, minha mochila já não pesava mais os 20 KG iniciais e o calor no meio do serrado é insuportável.

    Quanto mais eu caminhava, mais eu ficava preocupado com esta terra árida, repleta de folhas secas e o habitat perfeito para cascavéis, mas o cenário ia me recompensando a cada vez que o cerrado dava uma trégua e o campo limpo abria-se a minha frente.


Chapada da Salgadeira

    Passei por um córrego para lavar o rosto antes de iniciar a subida deste paredão.

    Consegui subir até a metade, o caminho não é tão íngreme quanto eu imaginava, a trilha vai serpenteando o platô até a parte superior, mas minha água estava no fim e não conseguiria descer antes do sol se pôr.

    Fiquei alguns minutos contemplando a paisagem e recompondo as forças para a descida. Neste momento senti a importância de uma boa bota, ela me tirou de maus bocados.


Cerrado

    Só consegui voltar na trilha graças ao trackback do GPS, se não fosse isso estaria lá até agora, e em menos de uma hora já estava de volta à cachoeira da Salgadeira. Em pouco tempo tomei um ônibus e voltei para Cuiabá

Amanhã volto para Chapada e finalizo os últimos atrativos turísticos antes de voltar a São Paulo.

Civilização, aí vou eu.

setembro 22, 2009

    Ao acordar a natureza me deu um belo presente, da porta da barraca eu apreciei este belo iniciar de dia. Foi o sinal que seria um final de viagem muito bacana.


Amanhecer visto da barraca

    Quem disse que desejos não são realizados, depois de tomar um bom banho, já com o meu sabonete, e escovar meus dentes, com minha escova milionária, apareci na cozinha da pousada e lá estava o Dodô agarrado em uma colher de farofa e um copo de suco de melancia.

    – Bom dia chefe, tem lugar para mais um nesta mesa?

    – Lugar até tem, só não tem comida, e logo abriu um sorriso igual a uma sanfona velha!!!!

        – Patrãozinho, ta em cima do fogão, vai lá e pega um teço pru sinhô.

    – Opa, não precisa mandar duas vezes.

    Peguei o meu prato, me aproximei do fogão de lenha e não economizei na colher do quebra torto.


Fogão a lenha

    Com tudo em ordem agora, chegou o momento de desmanchar o último acampamento para voltarmos à cidade. Fiz esta última foto do que foi a minha morada por estes dias.

 


Acampamento

    Prometia ser mais um dia de calor, enquanto eu estava arrumando a barraca o Hélio arrumava o lugar onde deveria ficar o barco até a próxima temporada ou até a nova vazante do Pantanal. Daqui para frente o clima de cheias deve prevalecer por aqui.

    Pegamos a estrada, ela parecia diferente agora, um pouco pior, e por conta disso tivemos que reduzir a nossa velocidade para incríveis 25 km por hora.

    Ainda no meio do caminho eu consegui uma cena que era uma das minhas ambições como fotógrafo, a figura do homem pantaneiro levando o gado de um campo para o outro. Nesta época, este movimento de migração para os campos mais altos é muito comum porque, dentro de mais alguns meses, as chuvas trazem as cheias para limpar e purificar o Pantanal. Esta rotina deve permanecer até o final desta estação e o início da vazante.


Pantaneiro


Pantaneiro

    Consegui ótimas imagens neste retorno. Alguns jacarés pareciam querer serem fotografados, ou estavam com fome mesmo esperando algum fotógrafo desavisado.


Vai dar mole para ver.


Eu falei que estava calor

Trajeto igualmente difícil para a volta, relógio marcando 37 graus com sensação térmica de 50 graus. Não é para menos, Cuiabá é sempre mais quente que as outras regiões do MT.


Logo acima das horas, a temperatura

    Às 13h00min cheguei ao hotel, no mesmo hotel que fiquei quando cheguei a Cuiabá. Resolvi dar mais uma chance, não é possível que este hotel fosse de todo ruim. Escolhi agora um quarto com ar condicionado.

A recepcionista perguntou se eu me importaria com a cama de solteiro, era uma cama BOX, prontamente falei que não haveria problema algum. (Se ela soubesse por onde eu andei dormindo nestes dias…).

    Agora estou no quinto andar, a vista não melhorou muito, mas o quarto… Parece até outro hotel.

    Foi bom passar um pouco de trabalho para dar mais valor as coisas que temos.

    Hoje passei o resto da tarde neste quarto, curtindo o ar gelado, conversando com amigos que fiz aqui e programando o roteiro para o próximo dia. A idéia é conhecer a Chapada dos Guimarães, este trajeto eu pretendo fazer sozinho e com a ajuda do GPS.

    Angariei algumas informações na recepção do hotel e fui jantar na Peixaria do Okada. Depois de comer uma Tucupira inteira fui dormir sentindo a expectativa de conhecer as próximas paisagens do MT.

 

    

O retorno da aventura

setembro 21, 2009

    Com a tarefa cumprida, o adiantar da hora nos lembrava que já era momento de comer alguma coisa. Em nosso barco tínhamos muita água dentro de um isopor, alguns biscoitos e frutas, um saco de carvão, sal e fósforos. O suficiente para fazer um belo almoço em alguma barranqueira do velho Cuiabá. Claro que não fizemos espetinhos de frutas, com um rio repleto de piranhas, não foi difícil arrumar almoço.

    Saímos do local onde encontramos a onça, Latitude 17°16’36.71″S e Longitude 56°41’30.33″O para encontrar um lugar para almoçar.

    Ancoramos o barco em uma ponta de terra, no encontro das águas do rio Piquiri e o Cuiabá, Latitude 17°18’25.04″S e Longitude 56°43’12.05″O

    Depois foi só pegar algumas minhocas e jogar na água. Não demorou muito para fisgarmos algumas piranhas que serviram como nosso almoço.

    Nem pensei em levar o repelente, pois os mosquitos geralmente atacam ao amanhecer e no entardecer, só que acredito que aqui eles estavam trabalhando 24×7, enquanto mordia um filé de piranha ao mesmo tempo brigava contra os mosquitos.

    Pensei em fazer um buraco para enterrar as partes não aproveitadas do peixe mas os caracarás apareceram e sobrevoaram o nosso churrasco improvisado. Não deu outra, atirei o que sobrou do almoço e as aves cuidaram de fazer toda a limpeza da área.

    Arrumamos tudo e voltamos para o Porto, precisaríamos levar o barco até a fazenda do Rio Clarinho e o final de tarde estava chegando. Enquanto o Hélio conversava com o rebocador para colocar o barco no reboque eu fui fazer umas fotos do Hotel Porto Jofre.


Andorinha


Vitória Régia


Panorâmica da fazenda

    Durante a caminhada pelos alojamentos da fazenda eu encontrei uma espécie de vendinha, vendia de tudo inclusive CREME E ESCOVA DENTAL. Não sabia se ria ou se chorava. Se ria de alegria por que eu poderia escovar os dentes de verdade ou se chorava pelos R$ 18,00 que estavam me extorquindo naquele momento. Bom, não tinha muita solução, ou eu comprava ou continuava sem. Nem precisa comentar que não existe cartão de débito ali, nunca foi tão inútil ter um VISA na carteira. Corri para o banheiro e agora estava escovando os dentes como nunca antes, meu amigo e dentista Dr. Rodrigo deve estar dando gargalhadas agora.    

    Agora sim, com o barco no reboque paramos novamente na Pousada Rio Clarinho para montar o último acampamento de pernoite. Chegamos por volta das 09:30 da noite, montamos o acampamento, conversamos com um grupo de alemães que estavam visitando o Pantanal e logo fui dormir. Fiquei imaginando como aqueles alemães estavam se virando com as pernas cheias de brotoejas devido ao mosquito e às caminhadas na mata. Por fazer calor eles não andavam de calças compridas e literalmente foram pegos de calças curtas.

    Só aqui para encontrar cenas como estas, tivemos que parar o carro para “enxotar” jacarés que insistiam em ficar no meio da estrada, eles estão certos, quem está invadindo o ambiente deles somos nós. Sobrou para eu fazer mais algumas fotos e empurrar jacaré para a beira da rodovia.

    Dormi pensando: – Bem que amanhã poderia ter aquela farofa do Dodô, o tal de quebra torto.

Em busca do maior predador do Pantanal – A onça.

setembro 20, 2009

    Que noite hein, era para ter sido a melhor das noites por aqui, isso se não fosse fato de ter que dormir no mesmo quarto dos guias de turismo. Era como se cada um tivesse trabalhando com uma motosserra a noite inteira. Se eu resolvesse sair do quarto os mosquitos me carregavam, se eu ficasse não dormiria também. Bom, resolvi ficar no quarto e pelo menos não teria problema com os mosquitos.

    Saída prevista para 04h30min em direção a Porto Jofre, tudo preparado, ainda sem minha escova de dentes e com mais um agravante, eu esqueci na última fazenda o meu sabonete. A sorte foi que consegui uns sabonetes na própria pousada e assim consegui tomar um banho descente, coisa rara por aqui.

De madrugadita, hora boa de viajar. Não consegui dormir no carro devido aos solavancos da estrada, mas logo depois de alguns kilômetros já encontrei mais um típico morador do Pantanal. Ainda tive sorte de conseguir “convidá-lo” para tirar uma foto comigo!!!

    Mais duas horas já chegamos ao Hotel Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá. Hotel com grande infraestrutura para receber turistas com todos os objetivos, desde contemplação das araras à pesca esportiva.

O barco já estava no cais, só colocamos os isopores, material fotográfico e outras tranqueiras e partimos sobre o Rio Cuiabá, 4 horas rio acima até o local onde a onça foi avistada pela última vez.


Saída do hotel para as embarcações.

 


Araras Azuis no Hotel Porto Jofre – Não são do Hotel, apenas vivem lá por vontade própria.

 

Enquanto subíamos o rio, não tive como deixar passar uma paisagem triste, ele está secando. Tudo bem que estamos na vazante e as chuvas devem começar ainda neste mês, mas pela fotografia podem ter uma idéia da largura deste rio e acreditem, tão raso que foi preciso levantar o motor várias vezes para não ficarmos encalhados. Nas barranqueiras a situação é pior ainda, os fazendeiros desmataram tanto o leito do Cuiabá que o ele próprio engolindo partes das propriedades ribeirinhas.

    Sabia da importância da mata ciliar, agora ver isso com meus próprios olhos é muito diferente do que aprendemos nos livros. É simplesmente triste ver um rio, antes navegável por chalanas durante o ano inteiro e agora comprometido pelo do assoreamento.

    Muito triste ver árvores caindo e barrancos desmoronando no leito do rio enquanto passávamos de barco.

    O GPS nos guiava com precisão pelos caminhos deste rio, tenho que me garantir, pois é muito fácil perder-se por aqui, ainda mais por que vamos vasculhar cada afluente deste rio para poder encontrar a onça e tudo parece muito igual.

GPS mostrando o leito do rio Cuiabá.

O calor só não estava pior por que estávamos em alta velocidade e o vento refrescava um pouco, em contrapartida, eu já colocava em cheque a potência do bloqueador solar no rosto, estava sentindo um pouco de coceira, meu pescoço já estava em brasas e as picadas de insetos ficavam cada vez mais salientes. O vento quente chega a ser pior que o sol muitas vezes.

    Passamos por um barco com alguns turistas, certamente também tinham ido em busca da onça. Paramos para conversar e perguntar se obtiveram sucesso.

    -Opa,

    – Bom dia Moço

    – Avistaram algo companheiro?

    – Pois olha, a bichona estava lá, mas não arriscamos ficar mais perto, estava com o bote armado.

    – Obrigado, vamos pensar no que vamos fazer ainda.

    – Cuidado amigo, a bicha deve ta prenha, tá arisca que só.

    Foi com este diálogo que o barqueiro foi embora, o Hélio cogitou a possibilidade de retornarmos. Sem acordo eu disse. Vim aqui para fotografar esta fera pantaneira e é prá lá que vamos. Se quiser fica no barco, ela não deve entrar neste rio cheio de piranhas, será tranqüilo, complementei. Falando assim parecia um Indiana Jones, mas só eu sei o esforço que fiz para falar isso.

    O Hélio não estava muito confortável, eu não estava nem aí com o fato, enquanto arrumava o tripé no barco, pensei que a possibilidade de encontrarmos uma onça neste horário é muito remota e por isso estava mais a vontade.

    Entramos em um braço morto do rio Cuiabá, lugar mais provável de acordo com a indicação do piloteiro com quem conversamos. Chegamos com o motor desligado, sem fazer alarde e, entre uma conversa e outra, fiquei observando uma ariranha com seu almoço.

    Depois de quase uma hora observando os barrancos, já com vontade de ir embora, cabeça doendo, sol quente e mosquitos em pleno sol a pino, já estava desistindo quando escutamos galhos quebrando no meio da mata. Ali estava ela, bem na nossa frente.

    Estava nos observando, escondida no capão de mato. Por muitos instantes gelei, senti que não poderia fazer nada e que a qualquer momento um dos dois deveria sair do seu lugar, ou ela ou nós. Ficamos nos olhando por horas a fio até que ela resolveu sair.

    Só estando frente a frente para entender a emoção de ver este grande felino em seu próprio habitat. Estudando um pouco mais sobre a onça pantaneira, descobri que sozinha não oferece grandes riscos para o seres humanos, mas caso ela esteja com filhotes, todo o contato deve ser evitado. Um animal deste tamanho alimenta-se de caça de médio e grande porte, podendo eventualmente atacar um boi adulto. Muitos criadores de gado têm problemas com a onça do Pantanal e alguns acabam caçando para defender o gado. Esta atitude, porém, acaba desequilibrado o eco-sistema e gerando o crescimento excessivo de populações como a da capivara, o que também traz malefícios para o gado (transmissão de doenças) e a natureza em geral.

    Tarefa concluída, sensação do dever cumprido. Temos que nos afastar lentamente para não assustar o bichano e voltar para Poro Jofre. Agora mais 4 horas rio abaixo e deveremos chegar no final da tarde ao hotel Porto Jofre.


Ambulantes

Vendedor ambulante não é uma característica só das grandes cidades, embarcações como esta são muito fáceis de serem encontradas durante todo o percurso pelo rio Cuiabá. São chalanas pesqueiras que rebocam pequenos barcos artesanais. Quando este misto de barco, casa e comércio ancora em algum lugar, pescadores munidos com suas linhas e anzóis, e somente isso, embarcam nas suas canoas escavadas no tronco das grandes árvores para pescarem peixes nobres do rio.

A compra de peixe fresco pode ser feita na própria chalana ou quando a embarcação encostar para vender o pescado a seus clientes fixos da margem do Cuiabá.

Do primeiro acampamento até o segundo pernoite

setembro 19, 2009

    04h45min da manhã e escuto chamarem o meu nome, totalmente assustado encontro o Hélio na porta da barraca gritando para que pulasse rápido para ver o sol nascer no mirante da fazenda Rio Clarinho.

    – Pow Hélio, ainda está tudo escuro….

    – Levanta rapaz, levanta que não vai dar tempo.

    – Tempo de quê? Eu ainda tenho que escovar os dentes… (havia esquecido que não tinha escova)

    – Que escovar os dentes o quê, pega a foca (lanterna) para não tropeçar em algum jacaré e vamos…

    Pensei: – Toma gaúcho, quem procura acha… Lá fui eu correndo, tropeçando nas botas, cara amassada, tripé em uma mão, câmera na outra e mochila nas costas. Quando chegamos ao mirante, me deparei com uma estrutura gigantesca de escadas ao redor de uma das maiores árvores da fazenda. O que me apavorou não foi o tamanho e sim todos aqueles degraus que eu ainda tinha que subir correndo para não perder o dito sol.

    Nascer do sol na Fazenda Rio Clarinho.

    Lá de cima dava para escutar todo o Pantanal acordando, eram os bugius roncando nas árvores, os jacarés fazendo barulho na beira do rio e até o vulto de uma anta eu consegui visualizar lá de cima.

    Em terra firme novamente, fiz esta foto para ter uma idéia da altura do “andaime pantaneiro”

 

 

Voltando para a fazenda, agora já dia alto, era hora de desmanchar o acampamento e tomar um café junto aos pantaneiros. Prato Principal: Quebra Torto (uma espécie de farofa de banana verde com carne de sol) feito pelo Negro Dodô, sabe que até estava bem bom e garantiu o meu sustento até umas 13 horas.

 

    Dodô

Acampamento desmontado, tudo dentro do carro, partimos para a próxima parada, Pousada Puma Lodge . Daqui para frente o celular não funciona mais, tudo na base do rádio e a energia elétrica só por gerador.

O sol não nos perdoou, pegamos a Transpantaneira às 08h30min, sempre encontrando surpresas pela estrada que nos fizeram esquecer o calor por alguns instantes.

 

IPE ROXO, já desflorado.

Tuiuiu

 

A chegada no Puma Lodge e a recepção do Sr. Marcos

Em troca de algumas fotos da pousada, o Sr. Marcos, proprietário da pousada, nos garantiu o pouso para esta noite. Como chegamos um pouco antes do meio dia eu já aproveitei para pagar logo a minha parte.

Agora ficamos bem, o Sr. Marcos não deixou que eu armasse a barraca e nos emprestou um quarto, já que naquela noite a pousada estaria com poucos hospedes. Claro que aceitei de prontidão e sem titubear, “cavalo encilhado não passa duas vezes”.

Passamos a tarde por lá, e quando o sol nos deu uma folga, saímos para procurar um pássaro cada vez mais raro no Brasil, o Urutau. O Uurutau é um pássaro raro, conhecido como ave-fantasma, é um dos pássaros mais cultuados na literatura fantástica. Ele também aparece em lendas, poesias e raramente é observado na área urbana. Espécie em extinção, o Urutau existe há pelo menos 20 milhões de anos, muito antes do “Homo sapiens” surgir na Terra.

O Urutau é uma ave rara porque para se camuflar facilmente. Procura uma extremidade de um galho, se adaptando de uma forma que se toma o aspecto de prolongamento do galho.

 

O jantar e a reinvenção do telefone

Um dos passeios oferecidos pela pousada é um roteiro de pesca pelo rio Cuiabá. Um casal de hóspedes estava chegando deste passeio com algumas piranhas e para não jogarmos fora os peixinhos, fizemos uma piranhada ensopada acompanhada de pirão e arroz.

Entre uma conversa e outra eu vi o pessoal da pousada conversando pelo celular, fiquei curioso e pensativo sobre como poderia o celular funcionar ali e foi quando o Sr. Marcos nos apresentou uma antena que ele mandou colocar nos fundos da pousada, com mais de 60 metros de altura, era a garantia de um sinal fraquinho, mas o suficiente para dar noticia à família. Internet e cartão de crédito no pantanal, NEM PENSAR.

Já que não teremos barracas para desarmar amanhã, temos que levantar mais cedo que o normal e encarar o destino final desta viagem, Porto Jofre, onde encontraremos a Onça do Pantanal. Assim eu espero.

No caminho para Fazenda Rio Clarinho

setembro 17, 2009

    No começo toda a aventura é uma festa, tudo é novidade e as surpresas aparecem a cada curva ou sobre cada mourão de cerca. Meu estomago não reclamou do comercial pantaneiro, mas estava sentindo mais sede que o normal, antes do início da transpantaneira já havia consumido quase dois litros de água e sentia-me literalmente vazando por todos os poros da minha pele, situação desconfortável.

    Dentro do Gol preto do Hélio, meu relógio marcava 37 graus e o asfalto parecia derreter até que ele simplesmente sumiu, eis que a aventura começa a ficar emocionante. A transpantaneira, MT 060, é uma estrada que liga Poconé ao Porto Jofre. Esta estrada é tão antiga quanto os “causos da sucuri do Pantanal”. Sua construção foi iniciada em 1972, na cidade de Poconé, e seguiram por mais 4 anos de aventura até as margens do rio Cuiabá, hoje Porto Jofre.

    Uma curiosidade interessante são as pontes de madeira ao longo do trajeto, são 125 pontes ao longo dos 145 kilômetros. Esta grande quantidade de pontes foi também responsável por reconhecer a Transpantaneira como a estrada com maior número de pontes de madeira do mundo. Consegui catalogar todos os pontos através do GPS.

De Poconé até a Fazenda Rio Clarinho são em média 35KM, estes foram feitos em 4 horas, assim vocês já podem ter uma noção da conservação da estrada. Após entrar definitivamente no Pantanal, o sentimento é como se o mundo fosse outro, como um portal onde tudo vive na mais perfeita harmonia e preservação, pelo menos a lei tenta manter a ordem por aqui.

          Enquanto eu ia fazendo algumas fotos, ia lembrando se não havia esquecido de nada, sentia que algo não estava bom e isso eu iria descobrir mais tarde, após o horário do jantar. Meu estômago não teve escolha, teve que se acostumar com a comida local ou teria que comer grama. Comida industrializada ou enlatada é uma raridade por aqui e só me resta confiar na cozinheira da fazenda.

Abaixo de cada ponte de madeira uma surpresa, pequenos lagos infestados de jacarés. O seu único predador são as onças, estas por sua vez estão limitadas à pequenos números, logo a sua população aumentou tanto que hoje estima-se que existam em média 6 milhões de jacarés na região pantaneira Segundo os pantaneiros, os Jacarés são animais inofensivos, mas preferi não ficar muito perto para comprovar.

Chegamos à Fazenda por volta das 17h30min, paramos para conversar um pouco com o proprietário, Sr. Afrânio, que nos recebeu muito bem, permitiu que eu armasse o acampamento próximo a casa grande e fizesse minhas refeições por ali mesmo. O Hélio, já é de casa, ficou no quarto dos Guias do Pantanal.

O repelente funcionou bem, o calor era demasiado, mas não consegui terminar de inflar o colchão e montar a barraca antes do sol ir embora. Só neste momento que me dei conta que estava com o relógio uma hora adiantado, aqui no MT existe a diferença de uma hora a menos referente ao horário de Brasilia.

Nesta noite não jantei, ainda estava conversando com o “prato comercial” que estava parado em meu estômago. Tomei um banho e … Sabia que estava faltando alguma coisa: Pasta e escova dental. Deixei no Hotel em Cuiabá. E agora? Terminei escovando os dentes no melhor estilo creme dental no dedinho. Que situação, mal começou o passeio e já estou perdendo minhas coisas. E o que mais me apavorou não era a falta da escova e sim o quanto poderiam me cobrar por um artefato de luxo nos confins do Mato Grosso onde a Coca Cola custa quase 5 reais.

Melhor ir dormir, amanhã será outro dia e, enquanto caminhava para a barraca fui pensando: O Fantástico nunca teria encontrado o Belchior se ele estivesse acampado no Pantanal.

O outro dia…

setembro 17, 2009

    Não sei se acordei ou continuo dormindo, só me lembro que eu corajosamente abri o chuveiro antes de vir dormir. Lindo dia em Cuiabá e, meu estômago lembrou, é hora de tomar aquele café da manhã. Tomei outro banho, pois agora são 06 da manhã e meu relógio marca 30 graus. Onde vai parar este termômetro?

    Desci e no lugar do meu cereal matinal, farofa de banana, salsicha cozida (esta deu medo) frios, que mais pareciam quentes de tanto o sol que estavam pegando, e alguns pães e frutas. Preferi as frutas.

    Dentro de mais alguns minutos o Hélio, nosso guia, ligou avisando que passaria no hotel para conversarmos sobre o roteiro e aproveitar para fazer umas compras para nossa aventura. Assim que ele chegou decidimos que iríamos para o supermercado para depois prepararmos o carro e partir para o Pantanal. Este seria o teste de fogo, os restantes das atrações poderiam ser vistas rapidamente, mas precisaríamos de um tempo especial para dedicar à Transpantaneira, estrada esta que corta o Pantanal de Poconé até Porto Jofre, terminando no Rio Cuiabá.

    Compramos o necessário, passamos na casa do Hélio para baixar o banco do Gol e carregar com barracas, colchões infláveis, churrasqueira e demais itens que necessitaríamos para um acampamento. O Hélio também quis aproveitar a minha estadia pelo Pantanal para fotografar algumas pousadas para o seu site de turismo pantaneiro e utilizar este marketing em troca de um banho ou alguma acomodação enquanto a seguimos a viagem (Já notei que tudo aqui é moeda de troca, desde que possa interessar alguém).

    Saímos de Cuiabá próximo ao meio dia, passamos no posto de gasolina para abastecer o veiculo mais as bombonas com álcool extra para o carro e gasolina para a lancha, que nos levará até a onça pintada do Pantanal. O alcool extra é um ponto de atenção, pois durante os 148 km de chão batido da Transpantaneira só existe um posto de combustível e este com valores que ultrapassam o senso comum.

    Almoçamos um “prato comercial” em Poconé e seguimos na transpantaneira em direção à pousada do Rio Clarinho, nossa primeira parada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui termina o asfalto e inicia a Rodovia Transpantaneira, 100%  terra.

 
O início da rodovia que corta o coração do Pantanal.

 
Surpresas pelo caminho, um Socó Boi.