Giro fotográfico pela Chapada

    Acordei cedinho, tomei um banho, deixei o café para quando estivesse esperando o ônibus e peguei um taxi para a Rodoviária. Comprei minha passagem e devorei um pão de queijo com café enquanto o ônibus não chegava.

    Já estava com tudo planejado, chegando à cidade encontraria a agencia para alugar a minha bike e partiria rumo ao giro fotográfico da Chapada.

    Tudo certo, tudo nos conformes. Encontrei a AGENCIA ICONE ECOTURISMO. Conversei com a Jéssica e ela me arrumou uma Mountain Bike. Indiciou-me o caminho por onde eu deveria seguir e como fazer para avistar uma cachoeira em uma propriedade particular e depois seguir o caminho para os demais atrativos turísticos. Confesso que quando ela me passou as quilometragens eu me assustei um pouco, 9 km para o primeiro mirante e aproximadamente 2 km para chegar à cachoeira, mas tinha que tentar.

    Joguei a mochila dos equipamentos nas costas e fui em direção à cachoeira, era o ponto mais próximo. Nas duas primeiras quadras já estava sentindo que não foi uma boa idéia alugar esta bike, benditos estrangeiros, acho que estavam tirando uma onda com a minha cara quando me recomendaram utilizar este meio de transporte para conhecer o lugar.

    Antes de concluir o primeiro kilômetro, não agüentava mais aquele banco. Desci, desocupei a pochete e encapei o banco. Foi a melhor idéia que tive nestes últimos dias. Mesmo com todo este calor eu consegui alcançar o lugar onde deveria entrar para chegar à cachoeira.

    Quando a Jéssica me avisou que eu precisaria pedalar em uma estrada de terra eu não dei muita importância, mas também não imaginava que a estrada era um tanto íngreme e cheia de valos abertos devido à chuva. Não conseguia controlar a bike durante esta descida, com todo o material nas costas o encontro à cerca foi inevitável. Conferi se todos os ossos estavam em dia, levantei e continuei com o percurso, pois eu tinha que fazer as fotos e PRECISAVA voltar ainda hoje. Neste momento já estava repensando os demais passeios.

    Valeu a vista, parabéns pelo lugar e recomendável para outros aventureiros com uma condição física melhor que a minha.

    Agora tenho que voltar até a estrada principal, não vai ser fácil subir de bike esta estradinha, com este calor, todo este equipamento nas costas e sem falar que não consigo mais amarrar a pochete no banco, isso significa que não consigo sentar direito.

    Fui empurrando a magrela e a sede aumentando, o meu rosto suando e o protetor solar escorrendo pelo rosto, o que mais eu poderia pedir? Acho que nada, pois se sem eu pedir já me apareceram todos estes inconvenientes, imagina se eu ousar pedir alguma coisa. Melhor ficar quieto.

    Parei para pedir água e prosseguir com a caminhada. Parecia que tinha andado mais de 30 km mas a gentil senhora me puxou para a realidade, disse que eu andara aproximadamente 300 metros e faltava mais 1km para chegar à rodovia. Não poderia ficar por ali, segui meu caminho.

    A caminhada estava agradável e consegui chegar à estrada.

– Eu sabia que não podia pedir mais nada, comecei a escutar trovões. Bendita chuva de verão, se eu não pedalasse com todas as minhas forças (que já eram poucas) eu poderia perder todo o equipamento para a água.

    Para resumir a história, mal encostei meu veículo de tração animal (neste caso o animal sou eu) e a chuva veio. Não conseguia sentar, já passara do meio dia e não consegui ver metade dos atrativos da Chapada e ainda precisava voltar para Cuiabá. Foi então que conversei novamente com a Jéssica.

    – Jéssica, você não tem ninguém que pode me levar para avistar os demais pontos antes de ir embora?

    – Claro, posso arrumar alguém sim.

    – Bom, espero que você consiga, não gostaria de ir embora sem ao menos conhecer o Véu de Noiva.

    – Fica tranqüilo que vou fazer uns telefonemas aqui.

    Logo em seguida ela conseguiu a Lena, ela desmarcou alguns compromissos, devido a chamada de última hora, e topou me levar para conhecer o que impossivelmente eu poderia descobrir de bike.


Mirante do ponto geodésico da América do Sul.


Arara Vermelha do restaurante Morro dos Ventos

    Esta Arara fica brincando com os visitantes do restaurante do Morro dos Ventos, que conta com uma vista espetacular da chapada. Em dias bons e sem a fumaça das queimadas é possível ver até a planície pantaneira do Mato Grosso.    


Cachoeira Véu de Noiva

    Infelizmente peguei uma época de pouca chuva e não temos grande volume de água na cachoeira.

    Bom, meu passeio termina por aqui, obrigado à XXXX pela paciência de acompanhar-me durante as fotografias da Chapada, obrigado à Jessica e ao pessoal da ICONE ECOTURISMO, pela receptividade e pela bike e … Um agradecimento especial ao casal de estrangeiros. Me ensinaram que fotógrafo com bicicleta não combina.

    Daqui, volto para São Paulo. Venham conhecer o Mato Grosso, cada momento difícil é recompensado com uma imagem diferente.

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