Do primeiro acampamento até o segundo pernoite

    04h45min da manhã e escuto chamarem o meu nome, totalmente assustado encontro o Hélio na porta da barraca gritando para que pulasse rápido para ver o sol nascer no mirante da fazenda Rio Clarinho.

    – Pow Hélio, ainda está tudo escuro….

    – Levanta rapaz, levanta que não vai dar tempo.

    – Tempo de quê? Eu ainda tenho que escovar os dentes… (havia esquecido que não tinha escova)

    – Que escovar os dentes o quê, pega a foca (lanterna) para não tropeçar em algum jacaré e vamos…

    Pensei: – Toma gaúcho, quem procura acha… Lá fui eu correndo, tropeçando nas botas, cara amassada, tripé em uma mão, câmera na outra e mochila nas costas. Quando chegamos ao mirante, me deparei com uma estrutura gigantesca de escadas ao redor de uma das maiores árvores da fazenda. O que me apavorou não foi o tamanho e sim todos aqueles degraus que eu ainda tinha que subir correndo para não perder o dito sol.

    Nascer do sol na Fazenda Rio Clarinho.

    Lá de cima dava para escutar todo o Pantanal acordando, eram os bugius roncando nas árvores, os jacarés fazendo barulho na beira do rio e até o vulto de uma anta eu consegui visualizar lá de cima.

    Em terra firme novamente, fiz esta foto para ter uma idéia da altura do “andaime pantaneiro”

 

 

Voltando para a fazenda, agora já dia alto, era hora de desmanchar o acampamento e tomar um café junto aos pantaneiros. Prato Principal: Quebra Torto (uma espécie de farofa de banana verde com carne de sol) feito pelo Negro Dodô, sabe que até estava bem bom e garantiu o meu sustento até umas 13 horas.

 

    Dodô

Acampamento desmontado, tudo dentro do carro, partimos para a próxima parada, Pousada Puma Lodge . Daqui para frente o celular não funciona mais, tudo na base do rádio e a energia elétrica só por gerador.

O sol não nos perdoou, pegamos a Transpantaneira às 08h30min, sempre encontrando surpresas pela estrada que nos fizeram esquecer o calor por alguns instantes.

 

IPE ROXO, já desflorado.

Tuiuiu

 

A chegada no Puma Lodge e a recepção do Sr. Marcos

Em troca de algumas fotos da pousada, o Sr. Marcos, proprietário da pousada, nos garantiu o pouso para esta noite. Como chegamos um pouco antes do meio dia eu já aproveitei para pagar logo a minha parte.

Agora ficamos bem, o Sr. Marcos não deixou que eu armasse a barraca e nos emprestou um quarto, já que naquela noite a pousada estaria com poucos hospedes. Claro que aceitei de prontidão e sem titubear, “cavalo encilhado não passa duas vezes”.

Passamos a tarde por lá, e quando o sol nos deu uma folga, saímos para procurar um pássaro cada vez mais raro no Brasil, o Urutau. O Uurutau é um pássaro raro, conhecido como ave-fantasma, é um dos pássaros mais cultuados na literatura fantástica. Ele também aparece em lendas, poesias e raramente é observado na área urbana. Espécie em extinção, o Urutau existe há pelo menos 20 milhões de anos, muito antes do “Homo sapiens” surgir na Terra.

O Urutau é uma ave rara porque para se camuflar facilmente. Procura uma extremidade de um galho, se adaptando de uma forma que se toma o aspecto de prolongamento do galho.

 

O jantar e a reinvenção do telefone

Um dos passeios oferecidos pela pousada é um roteiro de pesca pelo rio Cuiabá. Um casal de hóspedes estava chegando deste passeio com algumas piranhas e para não jogarmos fora os peixinhos, fizemos uma piranhada ensopada acompanhada de pirão e arroz.

Entre uma conversa e outra eu vi o pessoal da pousada conversando pelo celular, fiquei curioso e pensativo sobre como poderia o celular funcionar ali e foi quando o Sr. Marcos nos apresentou uma antena que ele mandou colocar nos fundos da pousada, com mais de 60 metros de altura, era a garantia de um sinal fraquinho, mas o suficiente para dar noticia à família. Internet e cartão de crédito no pantanal, NEM PENSAR.

Já que não teremos barracas para desarmar amanhã, temos que levantar mais cedo que o normal e encarar o destino final desta viagem, Porto Jofre, onde encontraremos a Onça do Pantanal. Assim eu espero.

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